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O debate sobre as transformações por que passam os cursos de Arquitetura e Urbanismo no país transcende a discussão sobre a adoção ou não da Educação a Distância (EAD). “Há um descaso do MEC no controle da oferta de vagas, em qualquer uma das modalidades, o que resulta em níveis baixos e inaceitáveis de qualidade”, afirmou o ex-vice-presidente da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), Gogliardo Vieira Maragno, em sessão temática  realizada durante o 21º. Congresso Brasileiro de Arquitetos, em Porto Alegre.

 

Ele ressaltou também que o fomento ao ensino não presencial está atrelado exatamente à instituições de menor expressão e maior interesse econômico. “As universidades públicas não falam em EaD”, lembrou, conclamando colegas, entidades, poder público e sociedade para  unirem-se pedindo a suspensão imediata dos cursos de ensino a distância em arquitetura e urbanismo. “Eles significam um duplo engodo: hoje para os que estudantes e suas famílias, no futuro para a sociedade”.

 

Foto: Carolina Jardine/FNA

 

Para a ABEA, em Arquitetura e Urbanismo o espaço físico adequado é parte do processo de ensino, favorece aprendizado. “Se dar sentido a espaços (físicos e reais) é o dever de ofício, como fazê-lo na virtualidade? Como aceitar que a relação professor/aluno presencial não seja importante, que a virtualidade basta? Qual seria, então, o sentido da construção física, real e material dos espaços?”,  questiona o Gogliardo Maragno. “São espaços específicos, mas plurais, para exercício de diferentes formas de linguagem, expressão, práticas, pesquisa, concepção e desenvolvimento que fomentam o processo criativo”.

 

“O ateliê é espaço facilitador da construção coletiva do conhecimento, é o espaço que permite a integração professor/aluno e aluno/aluno”. Esse convívio é essencial, na opinião da  estudante e diretora executiva de relações externas de Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA), Ananda Henklain. “O EaD permite menos espaço para o desenvolvimento da criticidade, algo essencial a ser trabalhado durante a graduação, aos olhos da FeNEA)”.

 

 

 

Ela propôs a discussão sobre o perfil desses novos estudantes que, talvez, possam estar abertos a um novo modelo de ensino. Contudo, alertou, é preciso reflexão sobre os impactos de longo prazo das decisões do hoje. “Defender o ensino de Arquitetura e Urbanismo é defender a profissão”, conclamou.

 

Segundo Ananda Henklain, os atuais estudantes são de difícil mobilização e cada vez reportam menor identidade com o movimento estudantil ou com a federação dos estudantes. “Isso é reflexo do sistema estabelecido onde o aluno não é o protagonista, mas o professor, dentro do modelo estabelecido de educação hierarquizada”. Ela defende um modelo disruptivo, com maior interação, baseado no ensino presencial. “Tirar espaço de conversa é pernicioso para o movimento estudantil porque a graduação é um período de sensibilização e de vivências onde se desenvolve essas habilidades. O que vivemos hoje é a política do desmonte”.

 

A arquiteta e urbanista Maria Elisa Baptista, representando o IAB, reforçou a defesa dos cursos presenciais, ao afirmar que “é na presença do corpo que a democracia se realiza. A convivência entre professor e aluno e aluno com aluno faz toda a diferença”. Segundo ela, educar arquitetos e urbanistas exige presença de forma a que se compreenda os espaços. E previu que os profissionais formados por EAD serão exatamente aqueles com menos condições para uma formação completa. Saber arquitetura e urbanismo é uma coisa, utilizar tecnologia é apenas um instrumento complementar.

 

A mesa foi mediada pelo diretor de Comunicação e Formação da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanista (FNA), Ormy Hütner Júnior, que pontuou sobre a falta de preparo dos estudantes em relação a conhecimentos básicos.

 

Em nome da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), o assessor jurídico Bruno Coimbra ponderou que não há uma instituição com currículo 100% EAD em atuação. A entidade, explicou ele, defende o fim da distinção entre cursos presenciais e a EAD de forma que o ensino seja avaliado pela qualidade e não pela forma como é ministrado. “Precisamos de portas abertas para debater sobre a qualidade na educação para que não se tenha só uma preconcepção de que se é EAD não nos serve”, criticou, lembrando que a mera proibição pressupõe a ausência de debate sobre o tema.

 

Com informações da FNA

3 Replies to “Ensino de Arquitetura exige transformação sem perda de formação”

  1. Rodrigo Alves Ramos disse:

    Olá boa tarde!
    Gostaria de saber se a modalidade de curso semi presencial também está em análise de suspensão? Obrigado.

  2. GERSON disse:

    Boa Tarde!
    A discussão sobre o curso (EAD OU SEMIPRESENCIAL) vem tomando conversas diversificadas, e análise diferente mais com o unico ponto que não haja ou tenha o curso. Mas pergunto, e os que se formaram na PRESENCIAL, conheço muitos deles que não sabem usar, nem se quer o AUTOCAD ou ate mesmo preencher um RRT, será mesmo o curso EAD que está errado? Ou estão olhando o rabo dos outros e escondendo o da PRESENCIAL!.

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